Juros, câmbio e inflação: como esses indicadores afetam o seu dia a dia e o cenário atual da economia brasileira

Juros, câmbio e inflação: como esses indicadores afetam o seu dia a dia e o cenário atual da economia brasileira

Diariamente, nos jornais e demais veículos midiáticos, somos constantemente expostos a notícias como: aumento da taxa de juros, resultado da inflação, balança comercial, evolução do dólar…Informações que podem soar pouco relevantes se não houver um elo entre elas e algo que as tornem palpáveis, como, por exemplo: o que isso impacta nos seus investimentos ou, até mesmo, no preço do pão que você come no café da manhã.

Por isso, neste artigo abordaremos os movimentos relacionados à dinâmica de mercado, traçando um paralelo entre a taxa de juros, inflação e como o dólar e o real se relacionam. Boa leitura. 

Inicialmente gostaria de frisar que os preços são formados a partir da demanda por um bem, ou a quanto o mercado está disposto a consumir daquele produto ou serviço, em somatória com a oferta desse mesmo bem. Em conjunto, esses fatores resultam no preço de equilíbrio que é justamente onde se encontram as curvas de oferta e demanda.

Em suma, se tivermos a demanda elevada por um produto, ou uma restrição de oferta, teremos um aumento de preço e, consequentemente, uma inflação positiva, nesse caso, a recíproca também é verdadeira.

Essa inflação nos gera indicadores que são os termômetros da economia, aliás, você sabia que existem diversos indicadores que medem tendências de preços? O principal deles é o IPCA, mas também existe o IGP-M e diversos outros. Cada qual responsável por medir a evolução de uma cesta de produtos e serviços.

Por exemplo, você já deve ter ouvido falar que um dos principais balizadores do preço do aluguel é o IGP-M, certo?

Para que servem os indicadores econômicos?

Através desses números o Bacen, ou, Banco Central, pode adotar medidas de controle da inflação, em busca do equilíbrio estabelecido pela meta – que pode variar em 1.5 p.p. para cima ou para baixo, em nível de curiosidade – além de outras ações que são essenciais para o controle da economia brasileira.

Onde quero chegar

Os acontecimentos dos últimos anos, gerados pela pandemia, acabaram resultando em efeitos atípicos na economia. Apesar de o poder de compra da população ter diminuído com a chegada do surto de Covid e os efeitos do lockdown, vimos uma elevação gradual da inflação, muito impulsionada por fatores como a crise hídrica, que elevou o preço da energia e a demanda internacional por commodities.

Importante ressaltar que a manutenção da elevação dos preços das commodities tem perdurado, inclusive por conta do conflito geopolítico que vivemos atualmente – que também tem afetado os preços dos combustíveis, diga-se de passagem.

Outro ponto que vale frisar é que esses produtos são negociados atrelados ao dólar. E todos esses efeitos, por mais que estejam fora do seu controle como cidadão comum, acabam impactando no seu bolso. 

Detalhando um pouco mais, por serem bens essenciais, alternando a dinâmica de preços das commodities, outros produtos e serviços são impactados, mesmo que indiretamente, gerando um efeito cascata: aumento generalizado no valor das mercadorias e estoques defasados por falta de consumo, resultando em gargalos na cadeia produtiva.

Lembrando que, como as commodities são precificadas em dólar, quanto maior a apreciação da moeda frente ao real, maior impacto destes bens no cálculo da inflação, e ai cito como exemplo o setor de grãos, petróleo, minerais metálicos, como minério de ferro, entre outros.

Retornando à dinâmica econômica, o Banco Central é o órgão responsável por garantir a estabilidade da moeda e da inflação. A elevação da taxa de juros é uma das principais medidas de contenção da inflação, um artifício utilizado para reprimir a demanda por bens, especialmente aqueles que necessitam de crédito para serem adquiridos.

Como reflexo direto, ocorre uma tendência maior à economia, ou seja, a retração do consumo, além do entendimento de que a rentabilização do capital trará maior retorno do que investimentos em crescimento produtivo, induzindo a queda da inflação.

Adicionalmente, quando a taxa de juros é elevada, o país atrai capital estrangeiro, que busca maior diversificação e rentabilidade em seus investimentos, gerando maior circulação de dólares e a queda da apreciação da moeda frente ao real.

Então, concluímos que a inflação atual não  é somente resultado da melhoria do padrão de vida e do poder de compra da população, mas sim, pode também ser gerada pela restrição da oferta de commodities, que ocasiona a elevação de preços. Com o agravante da evasão de investimentos destinados aos países emergentes, gerada pela instabilidade da economia mundial, resultando também na apreciação do dólar frente ao real.

Dito isto, os fatos explicitados acima definem o nosso momento atual, além de traçarem um panorama do fluxo de moedas estrangeiras, afinal, somos um país com elevada exportação de commodities ficando altamente expostos aos fatores macroeconômicos e ao dinamismo de consumo global.

Assim, Espero ter ajudado na compreensão e esclarecimento do momento e futuros movimentos em função de expectativas sobre a dinâmica econômica, destacando que empresas com muitas dívidas, que têm custos em dólar  e que necessitam de crédito para venda de produtos, deverão ser afetadas sempre que houver o entendimento de que a taxa de juros foi elevada sem um incentivo fiscal ao setor em questão, com o intuito de manter a estabilidade de vendas e produção.

Até breve e bons negócios

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