Tradição versus modernidade: Poupança ou Tesouro Direto
moedas empilhadas, e uma caneta ao lado simbolizando as contas feitas para entender qual melhor investimento: Poupança ou Tesouro Direto?
Tradição versus modernidade: Poupança ou Tesouro Direto

Tradição versus modernidade: Poupança ou Tesouro Direto

Os “ataques” à tradicional caderneta de poupança, aplicação preferida do brasileiro em um passado não muito distante, são uma constante em um mercado que a cada dia mais oferta novos produtos para o investidor escolher o que melhor se adequa ao seu perfil. Um grande concorrente, criado há mais de uma década foi o Tesouro Direto, programa do governo que possibilita (e populariza) a compra/venda de títulos públicos pela internet. Diante de tantas informações e possibilidades criadas no mercado de investimentos, muitos se perguntam qual dessas duas alternativas seria a melhor. Por isso, neste texto iremos abordar as principais características que levam à grande pergunta, ou como é conhecida popularmente, “a pergunta de 1 milhão de Reais”: tradição versus modernidade: Poupança ou Tesouro Direto?

Dentro do mundo dos investimentos é difícil definir um ativo como melhor, ou pior que o outro,o que o investidor deve ter em mente e levar em consideração na hora de investir, é que existem diversas alternativas, e dentre elas, existe aquela que se encaixa perfeitamentecom o  perfil e objetivo de cada um.Os dois produtos podem coexistir, sem problema nenhum, numa carteira de investimentos. Antes de observarmos as diferenças de cada um, vamos rapidamente defini-los:

Diferença entre Poupança e Tesouro Direto

A poupança é a aplicação mais simples e tradicional, produto exclusivo das carteiras dos bancos múltiplos, associações de poupança e empréstimo e caixas econômicas, integrantes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Os recursos da caderneta devem ser direcionados, por essas instituições, para operações de financiamento imobiliário, de acordo com limites estabelecidos pelo Bacen.

O Tesouro Direto é uma ferramenta que visa facilitar e democratizar o acesso dos pequenos investidores aos investimentos em títulos federais, incentivando a formação de poupança de longo prazo através deles, e, em contraponto, é uma forma do Governo de captar mais recursos para serem reinvestidos. Em outras palavras, ao comprar um título público você está financiando o governo, com a condição de receber futuramente uma remuneração pelo empréstimo.

O investidor deve entender seus objetivos ao decidir onde aplicar. A poupança é mais acessível ao brasileiro, visto que em geral basta ter uma conta num banco, sendo também de mais fácil compreensão. Já para investir no Tesouro Direto é necessário ter conta em uma instituição habilitada para intermediar suas transações, como uma corretora, por exemplo. A MyCAP está integrada ao Tesouro Direto e não cobra taxas para você investir.

Liquidez diária: resgate simplificado e rápido com o Tesouro Direto

Um dos grandes diferenciais que os investidores/poupadores optavam por continuar na Poupança, era a facilidade em resgatar o dinheiro investido. Porém, as mudanças feitas no Tesouro Direto ao longo de tempo, justamente para conseguir essa parcela de investidores que querem facilidade no resgate,a liquidez desses títulos públicospassou a ser diária, dessa forma o programa de compras de papéis do governo se igualou neste quesito à poupança.

É necessário observar que, na caderneta, você não tem rentabilidade negativa, mas se retirar o dinheiro antes do aniversário perde a rentabilidade do mês, ao passo que no Tesouro Direto vender o título antes do vencimento pode acarretar uma rentabilidade diferente da pactuada na compra (podendo até ser negativa), pois venderá a preços de mercado. Além disso, no caso do Tesouro Selic, você não corre esse risco de perda, pois sua rentabilidade está atrelada à taxa de juros de referência do País, que é a Selic.

Ambas as aplicações são classificadas como de baixo risco, de perfil conservador. Na poupança você corre o risco de crédito da instituição na qual está depositado, mas é garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil, ao passo que no Tesouro você está exposto ao risco de crédito do governo, ou seja, o mais baixo.

Custos do Tesouro Direto e da Poupança

Na questão custos, a poupança pode ter custos para manutenção da conta, mas isto varia de acordo com a instituição financeira. No Tesouro Direto são cobradas duas taxas:

  • taxa de custódia da B3 de 0,25% ao ano, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos;
  • taxa das instituições financeiras, que varia de 0% a 2% ao ano sobre o valor dos títulos em custódia. Reforçamos mais uma vez que a MyCAP zerou esta taxa.

Tributação do Tesouro Direto e da Poupança

A tributação também é diferente. A poupança é isenta de imposto de renda sobre os rendimentos, ao passo que no Tesouro Direto os rendimentos dos títulos sofrerão incidência de IR conforme tabela de aplicações de renda fixa (importante ressaltar que o imposto é regressivo, ou seja, quanto maior o tempo que você mantiver o investimento, menos irá pagar):

  • 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias;
  • 20% em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;
  • 17,5% em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias;
  • 15% em aplicações com prazo acima de 720 dias.

O grande diferencial pode estar na rentabilidade. A poupança tem a remuneração da seguinte forma:

  • Selic igual ou inferior a 8,5% a.a: 70% do valor da Selic mensalizada + TR
  • Selic superior a 8,5% a.a: 0,5% ao mês + TR

Já no Tesouro Direto, é necessário entender a forma de remuneração de cada título disponível, visto que podem ser pré (Tesouro Prefixado) ou pós-fixados (Tesouro Selic), pagar ou não cupom semestral, além de poder possuir componente indexado à inflação (Tesouro IPCA+). Como possui títulos com diferentes prazos de vencimentos, o TD permite um planejamento de longo prazo.

Taxa Referencial ou TR

Mas o que é essa TR atrelada à Poupança? A Taxa Referencial foi criada em 1991 e surgiu em conjunto com um pacote de medidas econômicas que visava estabilizar a inflação, que à época estava alcançando patamares alarmantes. Hoje a TR é utilizada como uma taxa de juros de referência, um indicador para algumas modalidades de investimentos, como a Poupança. O fato curioso é que a TR está zerada desde 2018, mas em 1993 ela atingiu o patamar de 2.474,74%.

Tradição Versus modernidade: Poupança ou Tesouro Direto

Afinal, o que devo escolher? Poupança ou Tesouro Direto? À essa altura do campeonato, você já deve ter percebido que não existe certo ou errado, mas é importante ressaltar que, nos últimos meses, como temos passado por um período de taxa de juros e inflação baixas, a rentabilidade da poupança (em torno de 0,2% a 0,3% a.m.) tem estimulado os investidores a buscarem alternativas. No Tesouro o investidor tem mais possibilidades de se proteger da inflação, podendo também acompanhar melhor os movimentos da Selic ou mesmo garantir rentabilidades futuras mais altas (no caso de comprar um título prefixado a uma taxa alta e depois passarmos por um período de queda dos juros).

Desta forma, você pode possuir recursos nas duas aplicações. Para as necessidades de curtíssimo prazo e momentâneas, a poupança é essencial. Para investimentos de médio e longo prazo, formar uma carteira com títulos públicos pode trazer boa rentabilidade. Gostou do texto, não deixe de acessar o nosso BLOG para encontrar outros artigos como este e ficar ainda mais por dentro do mundo dos investimentos.

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