IBOVESPA 100K: O QUE PODEMOS APRENDER NO VAI E VEM DA BOLSA
IBOVESPA-100K-O-QUE-PODEMOS-APRENDER-NO-VAI-E-VEM-DA-BOLSA

IBOVESPA 100K: O QUE PODEMOS APRENDER NO VAI E VEM DA BOLSA

O Ibovespa voltou aos 100 mil pontos! E quem diria que o marco tão famoso – Ibovespa 100K – perdido em 6 de março seria atingido novamente pouco mais de quatro meses depois, principalmente em um ambiente ainda tão complexo e cheio de incertezas. Falei um pouco sobre o cenário que possibilitou essa retomada no meu artigo anterior (2020: Os primeiros seis meses e o que esperar dos próximos). Neste texto gostaria de explorar alguns aprendizados que podemos tirar do vai e vem da bolsa nestes últimos meses, principalmente os fatores psicológicos que podem nos induzir a decisões precipitadas na alocação do nosso dinheiro.

Acompanhe as trocas de mensagens selecionadas em um grupo de investidores em determinadas datas neste ano, que podem exemplificar o carrossel de emoções que o mercado tem vivido:

O que essas conversas fictícias, mas com certa dose de realidade, podem revelar sobre o comportamento dos investidores durante os últimos meses, nos quais os mercados estiveram sob forte volatilidade?

Fator psicológico

Investir em períodos como estes mostram como o fator psicológico pode atuar, para o bem ou para o mal, nas nossas decisões, e podem ser grandes divisores de águas entre operações e trades bem sucedidos, ou grandes fracassos e frustrações.

Quem comprou ações no início do ano, aproveitou o marco Ibovespa 100K, ou carregava posições feitas em períodos próximos, se deparou com uma realidade dura, na qual viu seus investimentos se desvalorizarem fortemente. A sensação de ver o patrimônio reduzido a uma parcela do que era antes para muitas pessoas foi um grande baque psicológico. Devemos reconhecer que o abalo mental foi forte, pois alguns poderiam estar sob pressão extra, uma vez que vivíamos, e ainda vivemos, um momento de incertezas também quanto à saúde e outros aspectos, tal como o emprego.

Investimentos a curto prazo

Esta situação reforça a recomendação básica sobre a origem dos recursos que devem ser destinados ao investimento em ações e renda variável em geral: são recursos que não devem ter expectativa de utilização a curto prazo. O movimento visto nestes últimos meses deixa claro a importância desta recomendação. Afinal, quem não tinha a necessidade de utilização imediata dos recursos investidos, e, por medo ou receio do que poderia acontecer, vendeu suas ações na baixa, teve que encarar o retorno da Bolsa aos patamares do início do ano, provavelmente, à essa altura do campeonato, está com a sensação de ter feito mau negócio. De fato, quem procedeu dessa forma, no jargão do mercado, realizou o prejuízo. Mas talvez não precisasse. O fator psicológico pode ter pesado mais do que a necessidade.

O outro lado da moeda também viveu momentos de frustrações. Quem não estava comprado, ou tinha recursos financeiros para fazer novos investimentos, se não o fez, pode carregar a arrependimento de oportunidade perdida.

Compre na baixa, venda na alta

Seja qual for o momento, existe uma máxima do mercado que diz: “compre na baixa e venda na alta”. Obviamente, em geral, é assim que se ganha. Apesar de bastante intuitivo, este conceito é mais complicado quando vamos para a prática. Isto porque ir de encontro à opinião da maioria é muito difícil. Nos momentos de otimismo ou pessimismo, esta receita de bolo é facilmente colocada de lado. Para quem está começando, é ainda mais difícil remar contra a maré.

Afinal, porque não comprar quando os profissionais do mercado estão em fervorosa, e o noticiário só fala em recordes e Ibovespa 100K?

No sentido contrário, como comprar quando tudo parece muito ruim?

Na verdade, em todos estes momentos estamos diante de oportunidades que podem contemplar boas chances de ganhos, mas que também podem se transformar em armadilhas, caso o investidor não controle suas emoções. Isto vale tanto para os mais conservadores, quanto arrojados, para os novatos ou mais experientes, e, até mesmo profissionais do mercado.

Uma boa estratégia, que pode ser adotada em qualquer momento, é formar posições aos poucos, ao longo do tempo, permitindo que você monte carteiras com custo menor.

[Alerta: não me refiro a fazer preço médio, isso é diferente. Muitas das vezes os investidores caem na armadilha do “preço mérdio”. Isto ocorre quando alguém não quer admitir um erro (olha o fator psicológico aí!) após comprar uma ação que na sequência começa a se desvalorizar, aumentando suas posições com novas compras e valores mais baixos.]

Quando for se desfazer de posições lucrativas, o modus operandi pode ser o mesmo. Se estiver próximo de sua meta de ganho, realize, aos poucos. Manter uma disciplina e o fator emocional sob controle é primordial para a tomada de decisões assertivas.

Autor: Alexsandro Nishimura – Analista de investimentos CNPI-P e Head de Conteúdo MyCAP

Compartilhar:FacebookTwitter

Deixe uma resposta

1 comentário
  • Acredito que aos poucos os investidores pf já estão começando a mudar essa “mania de comprar na alta e vender na baixa”. Muitos aproveitaram pra comprar bolsa nessa queda e já estão conseguindo excelente resultados.

Invalid OAuth access token.
%d blogueiros gostam disto: