A Rússia invadiu, e agora?

A Rússia invadiu, e agora?

Ainda que fisicamente distante dos bombardeios, o Brasil tende a ser economicamente impactado pela situação de guerra entre Rússia e Ucrânia.

O conflito pode pesar, sobretudo, no bolso dos brasileiros, justamente em um momento de inflação elevada e juros na casa dos dois dígitos. Vale lembrar que os combustíveis são os componentes de maior peso do nosso principal índice de inflação (IPCA) e o petróleo precifica de imediato o conflito, chegando ao maior patamar em sete anos com as primeiras notícias de conflito armado. E, com certeza, isso vai pressionar a inflação, que já está bem acima do teto.

A guerra na Ucrânia diminui ainda mais as chances de um alívio no ciclo de aperto monetário. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central deu sinal de que diminuiria o ritmo de alta de juros a partir do próximo encontro. Porém, o conflito no leste europeu não estava no radar das autoridades monetárias e economistas, que chegaram a acreditar que a Selic poderia sofrer cortes ainda este ano, agora céticos quanto à essa possibilidade.

A Rússia é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, com capacidade para produzir mais de 10 milhões de barris da matéria-prima por dia. Para se ter uma ideia, o Brasil não consegue produzir nem um terço disso – nossa produção gira em torno de 3 milhões de barris diários.

A representatividade do petróleo russo é tão grande que uma interrupção no fornecimento da commodity teria o poder de reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em 2022.

A guerra na Ucrânia também pode trazer pressões inflacionárias vindas do dólar. A moeda americana vinha sendo negociada no menor patamar em sete meses, com o apetite do investidor estrangeiro por ativos brasileiros trazendo bilhões em divisas para a Bolsa. Com a aversão ao risco, contudo, a tendência é que a procura por dólar aumente.
A turbulência provocada com uma guerra no leste europeu também promete refletir na inflação de alimentos. Juntas, Ucrânia e Rússia respondem por quase um terço das exportações globais de trigo (28%) e um quinto das exportações de milho (18%).

O início dos bombardeios e conflitos armados em território ucraniano coincidem com um período delicado para a produção agrícola. Estamos justamente no período de desenvolvimento das lavouras de trigo, que começa a ser colhido no segundo trimestre. É também uma das épocas do ano em que os dois países mais exportam milho. No momento que escrevi esse texto o valor do trigo na bolsa de Chicago estava batendo no teto.

A combinação de petróleo e alimentos mais caros, devem ter efeitos no longo prazo. Todos esses fatores apontam em uma só direção: os preços dos alimentos e da energia deverão subir. Ou, em uma hipótese mais otimista, permanecerão nos patamares atuais por algum tempo.

E para o investidor…em momentos como este, de crise e incertezas, a melhor opção é estar alocado em fundos de alta liquidez em D+0 ou D+1, assim ficam livres das oscilações, têm rendimento acima do CDI e podem contar com o dinheiro em 1 dia pra aproveitar oportunidades que vão aparecer nos próximos dias nos mercados de renda variável e criptos.

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